Circuito Afro


               Por sua história em torno da produção açucareira que transformou o Recife em forte centro econômico, a cidade recebeu forte influência africana através dos escravos que aqui chegavam para os engenhos e centros urbanos. A música, as festas, a religiosidade e até arquitetura apresentam marcas deixadas por negros escravos e alforros, e depois por líderes culturais e religiosos que se tornaram símbolo de resistência e de luta por igualdade de direitos. Neste roteiro, um passeio por monumentos, estátuas, igrejas e Nações de candomblé, apresenta parte do mosaico cultural recifense.

                Com imagens de santos negros e um altar singular, a igreja do Rosário dos Pretos se destaca. Localizada no bairro de Santo Antônio, na Rua Estreita do Rosário, foi construída entre os anos de 1662 e 1667, passou por reformas e atualmente às suas portas, são realizadas coroações de rainhas dos maracatus recifenses. Próximo a ela está o importante polo cultural e de lazer do bairro. Reunindo museus, memoriais, restaurantes típicos e outros atrativos, o Pátio de São Pedro abriga a Concatedral de São Pedro dos Clérigos e um casario do século dezoito. No Pátio há estátua em homenagem ao poeta Solano Trindade bem como o Núcleo de estudos afro do Recife. Seguindo pelas ruas estreitas do Bairro de São José, encontra-se a obra de Abelardo da Hora que está em frente ao Pátio do Terço, como se estivesse pronto a entrar no local de realização da noite dos tambores silenciosos. Traz na escultura, homenagem à Dona Santa, do Maracatu Elefante.

                Dedicado à Iemanjá, o Terreiro Ylé Axé Obá Ogunté (1875), mais conhecido como Sítio de Pai Adão, situado no bairro de Água Fria, abriga a cultura viva do primeiro terreiro de Pernambuco, terceiro do país e primeiro do Brasil de nação Nagô. Nele vivem famílias descendentes dos negros africanos que realizam o culto do Iroko, orixá representado por árvore sagrada, com cultos realizados em torno de uma enorme gameleira da propriedade. À frente do terreiro, há uma capela com elementos católicos, fruto de período de perseguição aos cultos de matriz africana.

                Em Olinda, a igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos se destaca por ter sido a primeira igreja construída por irmandade de negros no país. Como curiosidade, as pinturas dos altares imitando pedras preciosas. No largo á frente, é realizada a noite para os tambores silenciosos de Olinda, na segunda-feira da semana pré-carnavalesca. No entorno, edificações históricas e a Bica do Rosário.

                No local conhecido como Portão do Gelo, está a Nação Xambá, terreiro de candomblé de rara tradição, com poucos o nenhum similar referente ao culto Xambá. No mês de junho realiza o coco de São Pedro e em Julho uma grande festa para Nanã. Abriga um memorial em homenagem à matriarca da casa, Severina Paraíso, a Mãe Biu.